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PERFIL

Silvia Ocougne e seu violão errante

Lívio Tragtenberg revê algumas das muitas estações na longa diáspora artística de uma instrumentista nascida no Brasil e hoje radicada em Berlim

O percurso da compositora e violonista Silvia Ocougne, paulistana, mas radicada em Berlim, tem a ver com uma diáspora sensível.

Em nosso país de surdos músicos, onde se ouve muito a mesma coisa, a diversidade e criatividade, quando não se exila fisicamente, se encapsula em nichos ou mesmo sobrevive de forma subterrânea, ainda que plena de energia e criatividade.

Assim Silvia, paulistana, partiu para o exterior.

Formada em música pela Universidade de São Paulo em 1984, após ter estudado violão com Manoel São Marcos, Edgar Poças e Paulo Bellinati, entre outros, recebeu no mesmo ano uma bolsa de estudos da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível superior) para estudar "Third Stream" (termo que designa a música resultante da fusão entre os princípios do jazz e da composição erudita) no New England Conservatory em Boston, USA, onde em 1986 obteve o mestrado em performance.

Seguiu de certa forma os passos de uma tradição familiar de mobilidade. Seu pai, Marcos Salomão Ocougne (1921-1995), engenheiro e sociólogo, era filho de Miguel Ocougne, tradutor juramentado, que veio de Minsk, na atual Bielo Rússia, em 1913, e de Lisa Kliass Ocougne, que veio de Berlim, em 1918.

A mãe, Eva Teperman Ocougne, nascida em São Paulo, é psicanalista, filha de Isaac Teperman e Malvina Gandelman, que tinham uma loja de móveis. Vieram da Bessarábia no início do século 20.

A família se completa com as irmãs, Renée Ocougne que mora em Las Vegas, tradutora juramentada, e Bia Ocougne, psicóloga e dançarina, que se especializou em ginástica holística, sendo hoje professora reconhecida em São Paulo.

Sob o impacto da 1ª Guerra Mundial, seus antepassados instalaram-se no Brasil, dando prosseguimento a uma vocação intelectual e musical, da qual se destaca a atuação do importante professor de piano José Kliass, avô paterno - que teve como alunos Yara Bernette, João Carlos Martins, entre outros tantos - e fez escola.

O violão de Silvia, ou melhor, os violões de Silvia, uma vez que ela reinventa o instrumento que se desdobra em personalidades, da descendência árabe à viola-de-coxo do Mato Grosso, e até o cavaquinho preparado, resume e reprocessa toda essa história de diáspora cultural.

Pude assistir, em 2005, no Festival Märzmusik, em Berlim, a uma apresentação solo de Sílvia, em que tocava, alternadamente, mais de uma dezena de instrumentos de cordas, entre pequenos violões de brinquedo, alaúdes, violas de todo o tipo, preparadas, adaptadas etc. - tudo com uma extrema fluência e delicadeza sonora, que nos fazia viajar por paisagens as mais diversas.

Aliás, essa é uma das características mais importantes de sua criação musical. Ao incorporar os mais diferentes estilos, idiomas e instrumentos, ela recria isso tudo de forma bastante pessoal, e que pode ser ouvida, por exemplo, nos CDs Ping Pong Anthropology, com o Gruppe XIIIth Tribe, Berlim, 1993 (Recomended), e Animal Magnetism com a Orchestra of Excited Strings 1996, (Tzadek), lançados na Alemanha nos anos 1990.

Sílvia atua em vários grupos de improvisação na Alemanha.

Entre seus parceiros destacam-se os compositores Carlo Domeniconi, Arnold Dreyblatt e Daniel Ott.

Domeniconi, compositor e violonista turco, é um nome importante do violão moderno, uma referência na área,

Por outro lado, Silvia Ocougne faz parte de uma geração de músicos inconformados com os limites de estilos, mas bem-humorados, como os grupos Premeditando o Breque e Língua de Trapo e o compositor Arrigo Barnabé. Essa veia foi muito bem explorada no CD Música Brasileira De(s)composta, com Chico Mello, Berlim, 1997, (Wandelweiser), criado em parceria com o compositor paranaense, também radicado há longo de tempo em Berlim, Chico Mello. Nele, músicas de Adoniran Barbosa se transformam em paisagens sonoras incorporando John Cage e o minimalismo: invenção pura.

Ainda com Mello, lançou o CD Violão de dois, 2001, (Oakmus) num novo lance de desconstrução afetiva da música brasileira. Gestos de nostalgia não passadista, típicos de quem vive fora do próprio país? Pode ser. Mas, sobretudo, a idéia de reinvenção de si mesmo e, observando num contexto mais amplo, reinvenção da personalidade e função do músico nos dias de hoje, em que a escala industrial da música urbana nos impõe um padrão de consumo musical homogeneizado.

Como sobreviver a essa estandardização?

Silvia Ocougne, como uma trovadora extraviada, alaúdes e violas-de-coxo em punho, transita por inúmeros festivais de música moderna na Europa e Ásia: Ton gegen Ton, Viena; Bang on a Can, NY, USA; Jazz Festival Salzburg ; New Music Festival, Nancy; Festival i Gamlebyen, Oslo; Universidade Bosforus, Istambul; Festival of Visions, Hong Kong, entre outros tantos.

É hoje um nome representativo na cena musical internacional, com ênfase na música improvisada, área ainda tão pouco divulgada no Brasil.

Silvia Ocougne tem também desenvolvido um amplo trabalho de curadoria em festivais de música na Alemanha, onde tem aberto espaço para que músicos brasileiros se apresentem em condições excepcionais como no Märzmusik, onde em 2005 foi apresentado um concerto com os instrumentos e a música de Walter Smetak, o nosso vovô microtom, do qual pude participar ao lado de Tuzé de Abreu, Thomas Groetzmacher, Tato Taborda e Wilson Sukorski. Essa apresentação contou com os instrumentos inventados por Smetak, que sofrem com a falta de visão cultural do Recôncavo.

Organizou também o Festival Quasi Amazonia, na Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo) em Berlim, 2000, onde foi possível tomar contato com a criação brasileira contemporânea, que não está na academia, nosso "túmulo do samba".

Silvia tem sido uma espécie de embaixadora informal em Berlim, não deixando que nossos onerosos serviços culturais oficiais reproduzam eternamente a visão hegemônica de que a cultura brasileira se resume a mulata, carnaval e axé.

Como compositora, Silvia Ocougne criou peças como Ale Orum, composição para orquestra de sopros, estreada pelo Neue Musik Rümlingen, na Suíça.

Seu trabalho se desdobra em colaborações para o cinema como em The Pursuit of Hapiness de Jimmie Durham, co-produção franco-alemã; Days of Miendi , direção Ingly Ma, em colaboração com Jan Schade, co-produção sino-alemã, e São Paulo de Juó Bananére, direção de João Claudio Sena, produzido no Brasil etc.

A parceria é uma constante em seu modus operandi criativo. O modelão do compositor erudito, romântico, mas ainda tão reproduzido pelos nossos "contemporâneos" que sonham em virar verbete, é substituído pela criação compartilhada, especialmente em grupos de criação coletiva e música improvisada que podem ser ouvidos nos CDs The Perfect Record for the Armchair Traveller, Berlim, 2001, (Recomended) e
A Classic Guide To No Man's Land, com a XIIIth Tribe and Armchair Traveller, Berlim, 2003; (Recomended, No Man's Land).

Participou a meu convite da gravação da música para os espetáculos de teatro-dança Pasolini, Testament des Körpers, em Hamburgo, e Othello, em Stuttgart, com o bailarino brasileiro Ismael Ivo, nos anos 1990.

Assim como o ídiche, que segundo Isaac Bashevis Singer guarda "tesouros desconhecidos", a prática da improvisação musical recolheu ao longo dos tempos inúmeros segredos que, em geral, foram desprezados pelos chamados músicos "cultos". Reunindo uma ampla variedade de técnicas e formas musicais, a improvisação reassume, na cena atual musical, o espaço de encontro entre tradições orais e rurais num contexto de livre criação. E Silvia é uma das representantes mais criativas dessa prática musical. Seu trabalho ainda aguarda maior divulgação no Brasil, para nosso prazer. ?

Livio Tragtenberg é compositor. Criador da Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo

Fonte: Revista 18 (Ano VI - número 26 - Dezembro 2008/Janeiro / Fevereiro 2009)

http://revista18.uol.com.br/visualizar.asp?id=1546

 

Brasilien - Berlin. Silvia Ocougnes Klangexpeditionen

Manche Komponisten und Musiker besitzen eine musikalische "Muttersprache", die sie zur lebenslangen rumorvollen Quelle ihres Tuns entwickeln. Silvia Ocougnes musikalische Heimat ist unverkennbar die brasilianische Musik, charakteristische Rhythmen und Melodien sowie Gitarren als "ihre" Instrumente, aber auch die Lust daran, dieses "Gepäck" experimentell in völlig neue Kontexte zu stellen. Die musikalische "Muttersprache" ist wandelbar, kann sich an andere Idiome anpassen, ist offen für Experimente, für humorvolle Selbstkritik, für Collagen und Dekomposition. Diese Tendenzen vertiefte die Musikerin und Komponistin in Boston, wo sie nach der Ausbildung in Sao Paulo "Third Stream Guitar" studierte. 1987 kam sie nach Berlin. Es begann ein Neuanfang in der geteilten Stadt, freies Experimentieren mit Gitarren und Saiteninstrumenten, sie spielte in Arnold Dreyblatts Orchestra of Excited Strings oder mit Chico Mello, der ebenfalls seine brasilianische musikalische "Muttersprache" nach Berlin transferiert hatte. Klangexperimente mit der Gitarre schlossen die ganze Bandbreite der Bearbeitung und Erweiterung der Instrumente ein: Gitarren werden umgestimmt, sie wandeln sich zu Perkussionsinstrumenten, werden mit dem Bogen gestrichen oder als "table guitar" gespielt, die Saiten lassen sich verquer aufspannen oder nach dem Vorbild Cages präparieren. Seit einigen Jahren arbeitet Silvia Ocougne auch mit Tänzern, Filmemachern oder Performancekünstlern zusammen. Dabei entstehen oft elektroakustische Kompositionen, die nicht nur Atmosphären schaffen, sondern in denen der Charme verfremdeter Windharfen oder melancholische Geräuschcollagen auch weiterhin Symbole dafür sind, konventionelle Schranken in Frage zu stellen.
Christa Brüstle
Berlin, 2006

http://www.chr
bru.de

 

Críticas do CD "Música Brasileira De(s)composta“

Silvia Ocougne & Chico Mello

"... Silvia Ocougne e Chico Mello tem uma saudável inquietação experimental. Passam os rasgos intuitivos das pulsões musicais populares pelo filtro da informação de alto repertório ( Cage, colagens, microtonalismo) e chegam, no seu disco MUSICA BRASILEIRA DE(S)COMPOSTA, a soluções inventivas e a releituras instigantes de „clássicos“ da nossa música popular. O violão (célula mater da cançnao) é a base dessa viagem do conhecido ao desconhecido, atravessada de silêncios, ruídos, vozes e sons imprevistos, da caixa de fósforo à tuba. Sem dúvida, trazem um sopro novo à nossa criação musical. Merecem ser ouvidos..."
Augusto de Campos

"...Immer bleibt das Ergebnis mitreißend rhythmisch; beide Komponisten sind zugleich Stimmakrobaten, beide beherrschen leidlich das klassische Gitarrenspiel. Das vielleicht schönste, gewiß aber Ulkigste, was seit langem in der Kunst der Collage zu hören"
FAZ von 23.9.97 geschrieben von Eleonore Büning


"The Girl von Ipanema" und "Zuckerhut", Bossa Nova und Samba, Liebe und Leid...
Alles was wir an brasilianischer Musik schätzen und bewundern, Silvia Ocougne und Chico Mello nehmen als Grundlage für ihre musikalische Duo Arbeit. Aber Achtung! Nichts bleibt so, wie es einmal war! Seit 1987 zerpflücken beide Brasilianer aus Berlin lustvoll die Musik ihre Heimat,ironisieren sie, färben sie um. Sie erfanden eine neue Musikform: das dekonstruierte SambaKompostKompott. Die vielfältigen musikalischen Erfahrungen der beiden Musiker aus improvisierte Musik, zeitgenössischer experimenteller Musik und diversen ethnische Musiken garantieren dem Publikum, daß es nie weiß, wie es im nächsten Moment klingen wird.
Silvia Ocougne absolvierte ein Kompositionsstudium und Gitarre in São Paulo und Boston und konzertiert seitdem solistisch oder in Ensembles für neue und experimenteller Musik. Chico Mello studierte an der Hochschule der Künste in Berlin bei Dieter Schnebel und arbeitet als Komponist und Performer. Ihre Arbeit brachte beiden eine Vielzahl von Preisen ein.
Stefan Froleyks

 

Crítica sobre o CD Violão de Dois - Silvia Ocougne/Chico Mello:

CD experimental resgata repertório brasileiro
Deutsche Welle Online- Simone de Mello, de Berlim

Compositores Chico Mello e Silvia Ocougne temperam música experimental com canções brasileiras, em CD ao vivo, gravado em petit comité, em Berlin.
Uma música como Garota de Ipanema já não se ouve mais, apenas se recorda. Afinal, os nossos ouvidos já estão tão acostumados com a melodia e o timing de gravações clássicas, que a memória canta mais alto do que o som. Silvia Ocougne, de São Paulo, e Chico Mello, de Curitiba, compositores de música erudita contemporânea, residentes em Berlim há quase 15 anos, dispõem de uma série de artifícios para estranhar o repertório popular brasileiro, a ponto de as canções se tornarem novamente audíveis, sem o filtro da familiaridade. O humor do duo, que já trabalha em parceria desde 1987, é apenas uma de suas armas.
Radio Days — Ouvir Violão de Dois é como girar o tuner do rádio em movimento aleatório. Assim como o processo de sintonizar as estações seqüencializa fragmentos de música, fala, silêncio e os ruídos da mídia, as colagens de Chico Mello e Silvia Ocougne reprocessam temas musicais brasileiros, incorporando todas as "interferências".
John Cage na Praia, cujo título explicita uma referência central dos compositores, não é o único exemplo disso. Todo o CD, gravado ao vivo, quebra a hierarquia de som instrumental e vocal, composição, improvisação e bate-papo, integrando ao fluxo musical a prosódia dos textos falados e as conversas com o público como interlúdio. É neste contexto que se revela a ironia da Novela de Rádio, em que a canção A mulher que ficou na taça, de Francisco Alves e Orestes Barbosa, é submetida a uma pseudotradução simultânea para o alemão.
O Brasil não é longe daqui — Silvia Ocougne e Chico Mello não só traduzem o repertório popular brasileiro para a audição dos apreciadores de música contemporânea e experimental, mas também resgatam, à distância do Brasil, a própria memória cultural. "Ai, ai, Maria, sai da lata e vem prá mesa": só sendo brasileiro para entender a graça dos jingles contrabandeados na música, a paródia dos diversos registros da fala brasileira e outras referências locais.
Porém, mesmo sem compreender todas as referências, um alemão que não conheça de perto o Brasil reconhece em Violão de Dois uma música "autenticamente sul-americana, descontraída, tropical e cheia de charme erótico e encanto exótico". A versão silábica de Garota de Ipanema, por exemplo, mostra como o duo opera como veículo de tradução ou transliteração de hits brasileiros, sem decepcionar quem esteja esperando ouvir João Gilberto.
O transporte da música — Funcionando como processador intermusical, o duo estabelece uma conexão direta entre os mais variados códigos sonoros, à medida que destaca a materialidade da música como mídia temporal. Em Maria Fumaça, Take the “A” Train, de Billy Strayhorn, é reportado à estrada Madeira-Mamoré e o tema musical é distendido ad infinitum, até se dispersar na paisagem sonora.
Apesar da marcação ritmada da caixa de fósforos, o Trem das Onze de Adoniran ora se adianta, ora se atrasa, numa vocalização que parece jogar com as variações de rotação de um disco. Fazendo jus ao princípio do acaso, um bonde passa na rua no momento do show e deixa um rastro na gravação, algo que certamente agradaria a John Cage.
Cultura do sarau e experimento — A gravação de Violão de Dois foi feita na sala de estar do produtor Dietrich Eichmann, que organiza saraus musicais em Berlim, lançando os concertos pelo seu selo oaksmus. A idéia é registrar os eventos com a espontaneidade do momento, sem mascarar a gravação original com quaisquer recursos de pós-produção. Este contexto de gravação, que destaca a espacialidade do som e as improvisações com o público presente, mostra um outro ângulo do trabalho de Chico Mello e Silvia Ocougne, que em seu CD anterior, Música Brasileira De(s)composta (Edition Wandelweiser Records, 1996), já tinham resgatado o repertório brasileiro como material da música experimental.
Confira outras faixas do CD Violão de Dois no site da gravadora:
www.oakmus.de

Críticas sobre o CD : " Le parfum des femmes" colaboração com Chantal Dumas:  

" ... There are four pieces here, although two of them are in fact the same piece reworked in different languages (French and German). Dumas calls these works "short sound novels", and while the stories they tell aren't exactly obvious, they're clearly narrative and dramatic. They were originally produced for German Radio between 1996 and 1997, while the composer was traveling in Europe -- hence the theme of migration. Each piece utilizes materials generated by a woman improviser, or as the notes put it: "Each short novel is developed from a work done by a woman-improviser also magnificent migratory bird..."

...The first piece, "Migration océane" features Brazilian/German guitarist Silvia Ocougne's gentle, evocative playing. Ocougne and Falilou Seck read a text (in French) by Dumas while scratching noises , storms, ocean sounds and other random audio elements mix with the guitar to create a semi-creepy but almost meditative atmosphere. 

Recensione: "Le parfum des femmes"

"... Realizzato per la radio tedesca tra il 1996 e il 1997, questo disco raggruppa tre diversi racconti sonori incentrati sul tema dello spostamento fisico da una nazione all'altra o da un continente all'altro. Ciascuno di questi tre racconti Ë scritto dalla penna di Chantal Dumas, studiosa delle sinergie tra possibilit narrative e sonore, autrice di radio drammi. L'apporto di altre tre "oiseau migrateur" Ë fondamentale nella riuscita del progetto.
"justify" Nel caso di "Migration ocèane" (la quarta traccia "Ozeanische Wanderung" é la versione dello stesso brano tradotta in tedesco) la Dumas é accompagnata dalla chitarra di Silvia Ocougne, improvvisatrice membro anche dell'Orchestra of Excited Strings and Winds e del gruppo The 13th Tribe. Molto poetici gli interventi fragilissimi della sua chitarra che appare e scompare insieme all'eco delle onde marine.Il racconto in forma poetica mette a confronto con molta enfasi la condizione sentimentale di una donna nella sua traversata dell 'Oceano con lo spostamento delle acque fredde dell'Atlantico. Un toccante diario intimista su sensazioni che sono universali per ogni partenza, viaggio e arrivo in una terra sconosciuta..."
Magazine "All About Jazz" 2000


Críticas sobre o grupo "XIIIth Tribe" :

"...It´s a sort of ethnic minimalism meets pointilism, if you like categories, but unlike anything I´ve heard before. BEst to put on the headphones, settle back and explore the subleties of this mesmeric album...".
Chris Blackford
Rewiew Ruberneck /93

"Ein abstrakt-futuristische Musik ist entsanden.... die Musiker extrahiren aus den verschiedensten musikalischen Eigenarten vieler Völker ein konzentriertes , gewaltiges und zugleich fließendes Klanggenälde. Ein Album das konventionelle Normen sprengt, aber trodzdem sensible, melancholisch und enstpannend wirkt..."
Rainer´s CD Tips
Saarlouiser Rundschau /93


"...Agile, ricca e dutille traspozitione proto.etnica realizzata da „ La tredicesimatribu“... „... i musicisti sanno ritagliari dalla trama della temporalità uno spazio da riservare alla scoperta di un delicato equilibrio armonico tra forme musicali archetipe ed estreme simmetrie moderniste. Antropo/logicamente istruttivo..."
Rino Rossi
Musicclub 23

 

Criticas sobre o CD "The perfect record for the Armchair Traveller":

Stadt Revue Köln 3/2
The Perfect Record

Die MusikerInnen der Armchair Traveller Band sind in unterschiedlichen Projekten der großen Berliner Neue-Musik-Szene involviert: Silvia Ocougne , die hier präparierte Gitarre spielt, hat mal vor Jahren sehr lässig John Cage mit Baden Powell gekreuzt. Werner Durand mit seinen selbstgebauten Blasinstrumenten aus PVC - Rohren, Saxophonmundstücken und Plastiktüten ist ein Meister des radikalen Minimalismus.
Die Anstrengung entfernt liegende Musik(vorstellung)en zu mischen und durch eine strenge Form, wie man sie aus dem Minimalismus kennt, zusammenzuhalten, gelingt der Band ganz vorzüglich (neben den beiden erwähnten hört man noch Hella von Plötz an der Glasharfe, die bisweilen wie eine Trompete klingt, und den Cellisten und Percussionisten Sebastian Hilken). Entstanden ist eine Folklore imaginäre, die nichts mit der jazzigen bzw. rockigen Variante dieser Musik zu tun hat (also nichts mit Louis Sclavis bzw. Tom Cora). Mal klingt die Musik wie Tortoise (wenn diese denn die Elektronik zu Hause ließen), dann wieder eine Jamsession in der mongolischen Steppe. Die MusikerInnen spielen mit Erwartungshaltungen-und zwar so, dass die HörerInnen zwar meinen, die Haltungen würden bedient. Tatsächlich aber unterläuft die dickflüssig-körperliche Musik beharrlich Klischees von Weltmusik, Minimalismus und Postserialismus. Die Gruppe liegt immer haarscharf daneben, und damit immer goldrichtig. Dadurch, dass man sich ständig an etwas erinnert fühlt, ohne dass die Erinnerung in der Praxis der Band aufgeht, gewinnt diese Musik ihre schillernde Eigenständigkeit.
Felix Klopotek


Bad Alchemy #38

Quasi Nachfolgeprojekt von 13th Tribe mit den nach Berlin verschlagenen Stammesmusikern Werner Durand (pvc-clarinet, pvc-ney, ur-sax), Silvia Ocougne (präparierte Viola, Spielzeugzither und andere gegen den Strich gebürstete Saiteninstrumente), Hella von Ploetz (Glasharfe) und Sebastian Hilken (mehr oder weniger präpariertes Cello, Gong, Perkussion). Gegen den exotischen Konsum gepantschter Pseudo-Weltmusik setzen sie ihre authentische Fake-Ethnomusik, die sie mit Als-ob-Art-Brut-Charme auf Eigenbauklangerzeugern mit Zivisilationsabfällen als Hausmusik aufführen. Tribale Ostinatos mischen sich mit den rohen Sounds der Cargo-Kult-Instrumente zum Grossstadtdschungelgroove. In Do-it-yourself-Trance in 50 Minuten um die Welt ohne den Sessel zu verlassen, während links und rechts die globalen Dorftrottel immer gieriger nach ihrem Katmandu suchen und die Tropen immer trauriger machen.
Rigobert Dittmann


Bierfront 1/2002

Ein Trip in andere (Klang/Welten: Ultratiefe Baßtöne, die entfernt an das Grunzen von Wasserbüffeln erinnern, mongolische Steppen, schwingend surrende Magie im Raum, der alles zeitliche aufzuheben scheint. Die vier Musiker spielen auf zum Teil selbstentwickelten Instrumenten, als würde die Musik gerade erst
geschaffen. So meint man, dies müsste der Ursprung sein, obwohl doch so fremd, neu und anders - tönt es hier berührend, betörend, bizarr. Windinstrumente,Glasharfen, Cello, Metal-Percussion: Faust und auch Can mag man hilfsbedürftig zitieren, aber am Ende erfreut man sich an dieser gekonnten Verwirrung, deren Schönheit sich nicht nur im heimischen Sessel geniessen lässt. Reisender, steig ein !
Frank Castro


Skug 49/01

Mastered by Stefan Betke (Pole) heisst nun nicht, dass da unbedingt Dub drin sein muss, Spass muss es trotzdem gemacht haben, dass dieses Berliner Quartett einer Art verkehrter Weltmusik huldigt. Gitarren, Glasharmonika und Saiten- wie Blasinstrumente klingen, weil selbstgebaut, mit Applikaturen versehen und unkonventionell gespielt, exotisch. Jedoch nie wie Easy-Listening Exotica, sondern eher wie Embryo auf reisen im Forschungslabor.
Alfred Pranzl


All-Music Guide

This is the first album by (Armchair Traveller), a Berlin quartet. The best known musician here is guitarist (Silvia Ocougne), formerly of "13 th Tribe". Her followers will have no problem relating to "The Perfect Record for the Armchair Traveller". In addition to her typical use of every possible size, shape and preparation of acoustic guitars, one also find in the music her usual playfulness, charm, sense of exploration, and warped ethnomusicological approach. In his liner notes, Matthias Osterwold puts down the big music corporations1 vision of 3world music2 to propose this instead, music of a new world where tradition and invention meet. In this post-post-modern world of ours, the musicians of "Airmchair Traveller" pick up the shards of folk music (elements of African tribal drumming, South-American dance songs, East-European and Asian music) and integrate them to their ingenuity -- modified traditional forms performed on modified instruments.Werner Durand plays PVC tubes equipped with hand-made resonators and saxophone, clarinet, and ney mouthpieces. Sebastian Hilken mainly performs on a cello with various objects inserted between/under its strings. But Hella Von Ploetz steals the session with her "glassharp": a set of glass rods rubbed with water, its resonator a metal sheet that can be bowed. It sounds like an orchestra of mutated foghorns. Even though they produce the sounds that make the music, these instruments are not the music itself. They serve a greater purpose, a set of entertaining, friendly piecesthat strongly evoke the world of Frank Pahl, with a different palette.
Recommended.
Francois Couture
Writer/journalist specialized in demanding music
Writer for the All-Music Guide
Producer of Delire Actuel, CFLX.
Personal webpage / Page personnelle: http://fcouture.multimania.com
Visitez / Visit the All-Music Guide at http://www.allmusic.com


"review scheda."

Le coordinate esterne sembrano preannunciare l'ennesimo (e furbo) disco di world music, magari con dovizia di campionamenti: mappamondo in copertina, titoli che (con l'eccezione di "Hindustry", parola che dopo l'ascolto rende bene l'idea del disco) rappresentano coordinate geografiche - e quindi evocano l'idea di un 'viaggio tra le culture' per un 'viaggiatore in poltrona'. In realt‡ "The Perfect Record... Ë un lavoro accessibile e fresco che si assume perÚ non poche dosi di rischio: se infatti certi brani (diciamo ambient/trance?) risulterebbero senz'altro appropriati in una 'chill-out room' altri vi provocherebbero sicuramente un discreto scompiglio. Non é azzardato tirare in ballo il profumo (e la lunga frequentazione) di certo antico minimalismo: quello, per intenderci, del Terry Riley pi? 'indiano'. Aggiungiamo una ricerca timbrica originale - e sempre 'acustica', pur se talvolta dalle sembianze decisamente elettroniche: alcuni strumenti sono infatti inventati di sana pianta, altri radicalmente modificati. Quartetto di corde, percussioni e fiati 'impossibili' che opera in quel di Berlino, gli Armchair Traveller hanno prodotto un album di specie rara: non difficile ma nient'affatto banale.
Giuseppe (Beppe) Colli
 

Críticas sobre o CD "Water Music", Silvia Ocougne e Carlo Domeniconi:

"The nine miniatures which make up Circus Music are full of tongue-in-cheek humour and the duo made the most of the clever opportunities available - lots of fun..."
Classical Guitar, 12/95


"...Wer am Schluß dieser Platte keinen Lachkrampf hat hat sich vielleicht zu sehr auf die Spieler konzentriert die trotz aller Zirkus Clownerie die hohen spieltechnische Erfordernisse in bewunderunswerter Leistung erfullen..."
Guitarre Aktuel - III 95


Brasilien - Berlin. Silvia Ocougnes Klangexpeditionen

Manche Komponisten und Musiker besitzen eine musikalische "Muttersprache", die sie zur lebenslangen rumorvollen Quelle ihres Tuns entwickeln. Silvia Ocougnes musikalische Heimat ist unverkennbar die brasilianische Musik, charakteristische Rhythmen und Melodien sowie Gitarren als "ihre" Instrumente, aber auch die Lust daran, dieses "Gepäck" experimentell in völlig neue Kontexte zu stellen. Die musikalische "Muttersprache" ist wandelbar, kann sich an andere Idiome anpassen, ist offen für Experimente, für humorvolle Selbstkritik, für Collagen und Dekomposition. Diese Tendenzen vertiefte die Musikerin und Komponistin in Boston, wo sie nach der Ausbildung in Sao Paulo "Third Stream Guitar" studierte. 1987 kam sie nach Berlin. Es begann ein Neuanfang in der geteilten Stadt, freies Experimentieren mit Gitarren und Saiteninstrumenten, sie spielte in Arnold Dreyblatts Orchestra of Excited Strings oder mit Chico Mello, der ebenfalls seine brasilianische musikalische "Muttersprache" nach Berlin transferiert hatte. Klangexperimente mit der Gitarre schlossen die ganze Bandbreite der Bearbeitung und Erweiterung der Instrumente ein: Gitarren werden umgestimmt, sie wandeln sich zu Perkussionsinstrumenten, werden mit dem Bogen gestrichen oder als "table guitar" gespielt, die Saiten lassen sich verquer aufspannen oder nach dem Vorbild Cages präparieren. Seit einigen Jahren arbeitet Silvia Ocougne auch mit Tänzern, Filmemachern oder Performancekünstlern zusammen. Dabei entstehen oft elektroakustische Kompositionen, die nicht nur Atmosphären schaffen, sondern in denen der Charme verfremdeter Windharfen oder melancholische Geräuschcollagen auch weiterhin Symbole dafür sind, konventionelle Schranken in Frage zu stellen.
Christa Brüstle
Berlin, 2006
http://www.chrbru.de